A ambiciosa formulação de um sistema universal de saúde para o Brasil foi idealizada a fim de que se consolidasse como política de Estado e, como tal, fosse capaz de orientar programas e ações governamentais que, ao longo do tempo, concretizassem expectativas e desejos por uma sociedade justa e inclusiva.
As grandes e efetivas conquistas obtidas com a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) demandaram transformações institucionais que, de alguma forma, mantiveram conflitos com situações hegemônicas anteriores e de forte aculturação no setor, caracterizado historicamente pela fragmentação de suas organizações.
Protagonizar os esforços adequados para que o País siga amadurecendo suas políticas públicas de saúde junto ao fortalecimento das condições de cidadania constitui desafio imediato. Para isso, faz-se necessária a análise criteriosa das condições de sustentação do cenário atual, permitindo a reflexão estratégica acerca dos elementos facilitadores para a construção de um futuro duradouro, marcado pelo elenco de resultados desejados.
Sendo um setor que se caracteriza tanto pela intensidade da atuação humana quanto pela forte necessidade de aporte de capital – traduzido em materiais e equipamentos -, a formação de profissionais, junto com os aspectos operacionais internos às organizações de saúde e seus modelos de gestão, configuram os fatores críticos de sucesso para o uso eficiente dos recursos alocados – escassos por definição – e a geração de resultados efetivos.
A esses fatores soma-se um terceiro, igualmente importante: a integração das informações, tanto aquelas referentes à execução de políticas e programas nas diferentes esferas de governo quanto as relativas a processos, atividades e resultados obtidos pelos diversos entes e prestadores de serviços. Esse fator é, portanto, responsável pela redução do desnível informacional entre os diversos entes e a população.
O incremento da efetividade da atenção prestada à saúde da população, traduzida pela qualidade dos procedimentos e pela segurança dos pacientes, é a resultante buscada pela intervenção dos formuladores e gestores do setor. Nesse sentido, a intensa troca de experiências entre o público e o privado vem definindo possíveis parcerias, o que poderá dar origem a um sujeito coletivo de grande valia para a sociedade, com atuação calcada nas necessidades dos pacientes e sob a égide de regras claras de monitoramento, avaliação e financiamento permeadas pela indispensável ética resultante da adoção de modelos de governança que privilegiem transparência e compliance.
A reunião, nesta publicação, de analistas acreditados tem o objetivo de gerar uma crítica rigorosa quanto às condições do setor da saúde, explorando os diversos e multifacetados aspectos que o caracterizam e que dão forma aos processos diuturnos de suas complexas organizações.
O adequado mapeamento do cenário vigente, com a visualização de práticas de gestão exitosas e demais diagnósticos apresentados, permitirá gerar propostas de ação com novas regras a adotar, critérios de implantação para unidades de excelência e cestas de indicadores para a análise do desempenho do sistema. Também o modelo de relacionamento político com os órgãos oficiais e com a mídia deverá ser contemplado na busca pela redução das incertezas e imperfeições ocasionadas pelo desnível informacional que caracteriza o setor.
Por fim, há que se considerar que, além de cumprir o papel de melhoria das condições de saúde individuais, o setor de saúde deve ser lembrado como responsável pela qualidade de vida de famílias, grupos e comunidades, originando as condições que sustentam a força de trabalho responsável pelo desenvolvimento do País, transcendendo sua função precípua.
Cesar Cunha Campos
Diretor da FGV Projetos
Prefácio
Apresentação
PARTE I
DIAGNÓSTICO: O BRASIL E A SAÚDE
Capítulo 1
A saúde como componente do desenvolvimento de um país
José Gomes Temporão
Capítulo 2
Mapa da saúde no Brasil
Do estado da arte ao cenário desejável II: o que as pesquisas do IBGE revelam
Zélia Magalhães Bianchini e Marco Antonio Ratzsch de Andreazzi
Capítulo 3
Um panorama sobre o financiamento
da saúde no Brasil
Ligia Bahia
Capítulo 4
A dinâmica de inserção profissional em ocupações no grande setor da saúde do Brasil nos anos de 2005 a 2011
Lygia Costa e Helio Arthur Reis Irigaray
PARTE II
A SAÚDE NO BRASIL NO SÉCULO XXI – OS DESAFIOS PARA UMA ASSISTÊNCIA DE QUALIDADE
Capítulo 5
O ensino médico
Hilton Augusto Koch
Capítulo 6
A formação do gestor em saúde: a contribuição dos cursos de pós-graduação em saúde
Ana Maria Malik
Capítulo 7
A atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar
Lenise Barcellos de Mello Secchin
Capítulo 8
Hospitais de excelência, responsabilidade social e saúde: a importância das parcerias
Jacques Jean Daniel Coudry
Capítulo 9
Estrutura organizacional – benefícios para um projeto de acreditação hospitalar
Alexandre Menezes
Capítulo 10
A contribuição dos MBAs em Gestão de Saúde na formação de lideranças
Tania Regina da Silva Furtado e Thelma Battaglia Rezende
Capítulo 11
Um modelo de gestão de indicadores de qualidade
Josier Marques Vilar
Capítulo 12
O que esperamos para o futuro
Roberto Medronho
PARTE III
AS POLÍTICAS DE ACESSO A SAÚDE
Capítulo 13
O setor privado e o apoio ao acesso à saúde no setor público
Francisco R. Balestrin de Andrade
Capítulo 14
Mídia e saúde
Waldir Cardoso
Capítulo 15
Os profissionais de Jornalismo na Medicina
Merval Pereira
Capítulo 16
Mídia e saúde: a defesa do direito à saúde na Revista Radis
Rogério Lannes Rocha
PARTE IV
GESTÃO PÚBLICA E PREVIDÊNCIA
Capítulo 17
Previdência complementar no Brasil: panorama atual e perspectivas
Jaime Mariz de Faria Júnior
Capítulo 18
O efeito da queda da taxa de juros sobre os planos de previdência
Marcelo Abi-Ramia Caetano
Capítulo 19
Gestão das contas públicas da previdência: gasto elevado, controle das contas e tendências
José Cechin
PARTE V
AS PERSPECTIVAS DA SAÚDE NO BRASIL – O MERCADO E AS NOVAS TECNOLOGIAS
Capítulo 20
Saúde, inovação e bem-estar
Carlos Augusto Grabois Gadelha
Capítulo 21
Medicina de precisão – o futuro chegou!
Evandro Tinoco Mesquita
Capítulo 22
A evolução das tecnologias na área de saúde e possibilidades de aplicação
Marcus Vinicius dos Santos
Capítulo 23
Desafios bioéticos
Renato Diniz Kovach
Capítulo 24
Envelhecimento ativo: implicações no mundo do trabalho e organizacional
Anderson de Souza Sant'Anna, Fátima Bayma de Oliveira, Luciana Silva Custódio, Mirela Castro Santos Camargos e Tamara Costábile Sant'Anna
Capítulo 25
Contribuições da neurociência para o campo organizacional e da liderança
Fátima Bayma de Oliveira, Anderson de Souza Sant'Anna, Antonio Moreira de Carvalho Neto, Daniela Martins Diniz e Tania Furtado
Capítulo 26
Análise dos desafios e das oportunidades de ti na área de saúde no Brasil
Luciano Carino
Capítulo 27
Home Health – aplicativo em saúde
Bianca Arze
Capítulo 28
A tecnologia avançada do neurofeedback e a neuropsicologia para o desenvolvimento de alto desempenho
Maria Nazareth Ribeiro
Capítulo 29
Relacionamento intergeracional e envelhecimento ativo
Dina Frutuoso
PARTE VI
ESPORTE E SAÚDE
Capítulo 30
Prática desportiva, expectativa de vida e financiamento ao desporto mediante gastos privados das famílias no Brasil
Istvan Kasznar
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